Sendo mãe: mais empatia na minha vida!

Bom dia, terça-feira de chuva! Laura está com pouco mais de 45 dias, encerramos o período de quarentena/puerpério/resguardo bem melhor do que eu imaginei e agora estou ansiosa para curtir os bloquinhos de Carnaval (aham!). Nessa nova fase da minha vida eu tenho refletido diariamente sobre a maternidade nos dias de hoje e queria dividir um pouco com vocês. Em 2017 eu escrevi o texto “Ame com mais empatia” e agora é impressionante como a palavra empatia faz ainda mais sentido, porém em um contexto totalmente diferente do que naquele momento da minha vida.

Quando eu morei na Irlanda em 2010, trabalhei durante um ano como babá de três crianças: duas meninas, de sete e três anos e um menino de dez. Meu trabalho principal era cuidar da caçula e isso incluía uma rotina de levar e buscar na escola, dar café da manhã e jantar, dar banho, brincar, ler histórias e nas vezes que viajei com a família colocava ela e a irmã para dormir. Presenciei escândalos e birras absolutamente desnecessários em lugares públicos, na frente de todo mundo, mas lembro que meus chefes sempre se mantinham calmos e firmes e isso me inspirava. Essa experiência me fez amadurecer no sentido de paciência, calma e tranquilidade em situações de desespero e tensão…rs. Cheguei a bater o carro da minha chefe certa vez quando os três não paravam de brigar e gritar e eu dei ré no carro da vizinha. Não sabia como me desculpar, mas minha chefe sempre calma, me tranquilizou e disse que entendia a situação. Naquele dia eu lembro que estava no ápice do stress e pensei: caramba, ser mãe não é fácil!

Quase 10 anos se passaram e mesmo depois dessa intensa e transformadora experiência na Irlanda, eu não fazia ideia o que era ser mãe. Eu era aquela que não concordava com crianças que mamavam até os 2 anos ou aquelas que tomavam fórmula desde que nasceram. Eu achava errado dormir no quarto dos pais e pior ainda, na mesma cama. Eu dizia: meu filho não vai usar chupeta. Eu sempre me imaginei sendo mãe com desapego, sem mimo, sem manha, equilibrada, racional. Eu achava um absurdo viver em função da vida de mãe e parar de trabalhar. Mas também achava terrível quem trabalhasse freneticamente e participasse menos do dia a dia e da educação do filho. Eu morria de dó de bebês que iam para a escola aos 6 meses mas também não achava certo os avós cuidarem da criança o dia todo para os pais trabalharem. Eu achava chato papo de grávidas/mães, que só falavam desse mundo da maternidade. Eu não entendia quando alguma amiga grávida não queria sair ou quando desmarcava algum compromisso. Eu não achava que os hormônios eram capazes de mudar tanto assim o comportamento e sentimentos de uma mulher. Sim, eu era dessas. Eu era alguém normal e cheia de palpites, mas sem nenhuma propriedade para tal. Eu não fazia ideia do desafio que é tomar decisões que impactam diretamente na vida de um ser humano recém chegado ao mundo que depende de mim para absolutamente tudo.

Quando engravidei as coisas estavam bem diferentes na minha vida, meu conceito de problema já tinha outro significado e meu olhar sobre o problema dos outros havia mudado completamente. Eu já olhava para as outras grávidas e mães com mais empatia, carinho e compaixão, imaginando que eu não fazia ideia o que elas estavam vivendo. E isso não quer dizer que agora eu concorde com todos os hábitos das outras mamães, o que mudou foi a minha forma de olhar para essas mulheres. Agora eu tento imaginar o relacionamento que elas tem (ou não tem), vida profissional, criação que tiveram, problemas familiares, etc e entender que o que não faz sentido pra mim, pode ser natural e funcionar para elas. E a verdade é que não existe certo e errado, existe o que funciona pra você. E só você sabe quando a coisa aperta de verdade, o que fazer. Ninguém vive nossa vida e nossos problemas. Na minha vida de mãe, sinto que quando eu estou feliz, a Laura fica bem. Se estou sem paciência, exausta e estressada, consequentemente isso reflete nela, então busco fazer coisas que me dão prazer para poder recarregar as energias para cuidar dela. No meu processo de me tornar mãe, eu aprendi que o segredo de uma maternidade mais leve e feliz é a gente parar de se cobrar tanto e nos libertarmos de tantos pré conceitos, palpites e dicas da internet.

Defina a sua forma de ser mãe e faça o que é melhor pra sua família, o que funciona no contexto da sua vida. Se alguma coisa não estiver dando certo, mude, tente de outro jeito, mas não se cobre de acertar tanto. Não julgue (e falo por mim também) os diferentes perfis de mãe, a maioria está dando seu melhor. Não julgue quem escolheu não ser mãe. A empatia é uma questão de hábito! Pratiquemos!

Obrigada pela leitura!!

Fê.

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