Sendo mãe: primeiros dias

Boa tarde pessoal! Mais um post que eu ficava imaginando como seria, com qual humor eu estaria e o que eu teria para escrever. Agora já se passaram 20 dias que a Laura nasceu e eu já tenho muito que contar.

Durante a gravidez a gente pesquisa, lê, se informa com amigas que já são mães, ouve conselhos da família, mas a verdade é que cada maternidade se desenvolve de um jeito, cada mãe nasce de uma forma, junto com seu filho. Eu tinha meus medos e expectativas, mas sabia que nada me deixaria 100% preparada pra me tornar mãe, eu só aprenderia de fato quando chegasse em casa com a minha bebê, nos conhecendo, dia a dia. E assim está sendo, cada dia eu me descubro como mãe, tento entender a Laura, olho fundo nos olhos dela, converso com ela, abraço, beijo, me conecto cada vez mais. Esse é o clichê mais certo de todos: ser mãe é conhecer um amor inédito e totalmente transformador na vida de uma mulher. Confesso que eu morria de medo da privação de tempo, da dor do parto e da recuperação, de viver 24 horas por alguém, de não ter mais tempo pra mim, especialmente nos primeiros dias, e tinha pavor da primeira noite depois de voltarmos do hospital. Além de tudo isso, eu morria de medo da temida amamentação, se eu teria leite, se ela se adaptaria, se precisaria de fórmula.

Nesses 20 dias de Fernanda + Laura, digo com uma felicidade imensa que tudo está fluindo muito melhor do que eu esperava. A amamentação já começou bem com a ajuda das enfermeiras do hospital e levou 4 dias até eu me acostumar e pegar o jeito. A primeira noite em casa foi leve e sem desespero. As poucas horas de sono estão me cansando menos do que imaginei e ficar em casa 24 horas, apesar de as vezes entediante, passa voando quando estou com ela. Aprendi que se a energia da casa está calma, tranquila e feliz, a bebê acompanha o ritmo. Descobri que limpar fralda nem é tão chato e que a gente pega o jeito rápido. É cansativo sim, mas compensa e eu sei que passa. Perdi 7kg dos 12kg que engordei e agora é só uma questão de paciência e foco para perder o que falta no tempo certo.

Essa está sendo a minha experiência e só quero tentar mostrar um lado um pouco mais positivo de todo esse processo. Tive meu mérito mas tive muita sorte, eu sei e tenho agradecido diariamente. Só acredito que assim como pra mim tudo até fluiu bem até agora, também pode fluir para muitas mulheres. E se houver problemas, você não precisa fritar seu cérebro 9 meses antes deles acontecerem. O que me incomoda é o terror que algumas mulheres tem feito sobre a maternidade em si, generalizando os problemas e os colocando como se fossem uma regra. Não é de se surpreender que muitas desanimem de serem mães, afinal parece que a gente só ouve o “pior” do que está por vir. “Você não terá mais tempo nem de ir ao banheiro, seu peito vai sangrar (e cair), esquece a vida sexual, seu sono já era, seu corpo nunca mais será o mesmo”…e por aí vai. Frases que sempre são ditas com aquele final consolador “mas é o melhor amor do mundo”. Quando você tem seu bebê no seu colo, realmente tudo vale a pena, tudo faz sentido e esse amor te completa de uma forma única e inexplicável. O problema é ouvirmos tudo isso quando ainda estamos pensando em engravidar ou quando já estamos grávidas, e a “chave mãe” ainda não foi ligada dentro de nós. A gravidez é um período frágil, que ficamos mais sensíveis, confusas, as mudanças são constantes em nosso corpo e cabeça, e ouvir toda essa parte tensa só nos deixa mais ansiosas, preocupadas e inseguras se vamos dar conta. A gente ainda não conhece esse amor mágico e maravilhoso, ainda somos só nós, então enxergamos apenas o que vai mudar negativamente, infelizmente.

Gostaria de dizer as mulheres (assim como ouvi de algumas amigas incríveis) que tudo vai dar certo, e que se você tiver algum problema, na hora haverá uma solução, um caminho. Não vejo sentido em aterrorizarmos umas as outras, porque cada mulher tem uma vida, um corpo, uma rotina. Se algo deu errado pra mim, não significa que dará pra todas. A gravidez é única e muito diferente em cada caso. Você pode se preparar 9 meses para ter um parto normal e na hora ser necessária uma cesárea, não há como prever. Meu lema nos 9 meses foi: a Laura que vai escolher quando vai nascer e eu farei o que for mais seguro para nós duas. Ponto. Fiz minha parte e me preparei, mas contei com a sorte e o meu trabalho de parto durou 6 horas. Já cheguei com a bolsa estourada e com 4cm de dilatação que evoluiu rápido e tudo isso fluiu para que eu tivesse um parto normal do jeito que eu queria. A quarentena tem ido bem e com certeza a recuperação do parto normal é incrível nesse sentido. Dois dias depois você já se sente ótima, a dor vale a pena…rsrs.

Escrevo esse texto com absoluto respeito a quem não quer ser mãe e as mulheres que enfrentaram problemas e tiveram força para enfrentá-los. Meu objetivo é mostrar que as coisas podem dar mais certo do que errado. Que nós mulheres, devemos nos ajudar mais e assustar menos. Tornar-se mãe é um processo incrível, um milagre maravilhoso e natural da vida, nosso corpo se prepara pra isso, mas cabe a nós trabalharmos nossa mente também. Dá medo e preocupa sim, mas nos transforma profundamente desde o primeiro dia e sinto que vai transformar todos os dias, de várias maneiras. Que a maternidade real, apesar das dificuldades, tenha mais tranquilidade, leveza e bom humor. Menos expectativas e cobranças com nós mesmas. Que a gente aprenda do nosso jeito e no nosso tempo. Muito filtro para os palpites e dicas! Que a gente siga a nossa intuição sempre.

Um obrigada especial a minha mãe e as minhas amigas mamães, que me falaram coisas boas e coisas reais, mas com jeito, durante a minha gravidez.

7 comentários Adicione o seu
  1. Minha linda filha! nunca pensei que vc se tornaria essa mãezona, uma menina “ rutz”mas responsável, amorosa e com um enorme amor. O legal ainda é passar as mulheres e amigas que ter um filho (a) não é o fim do mundo.
    Parabéns! Você é simplesmente maravilhosa.
    Amo vc e agora amo a Laura também 😍.
    Muita luz pra vocês. Bjs

  2. Morri com o comentário do seu pai. Uma menina “rutz” hahahha
    Feee to muito orgulhosa da gente, pelas mulheres e mães que nos tornamos!
    Te amo! Conta comigo

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