Diário gravidez: 35 semanas!

Olá a todos! Já estava ensaiando esse post há alguns meses, mas acho que agora realmente faz sentido contar um pouco mais de como foi a nossa trajetória até aqui nessas 35 semanas.

Eu nunca tive aquele sonho de ser mãe, nunca me vi grávida, me achava muito imatura pra tudo isso…rsrs. Mas sempre imaginei o quanto essa fase poderia me desafiar e me transformar, em vários sentidos. E mesmo depois do casamento, lua de mel, 30 anos, e falando sobre o assunto filhos, esse plano me parecia sempre tão distante. E é aí que a vida vai passando tão rápido e quando percebemos, já estamos prontos, mas na verdade sempre falta alguma coisa. Falta aquela viagem a dois, falta mudar de trabalho, falta ganhar mais, ter mais tempo…O nosso sonho utópico de ter uma vida equilibrada para o momento perfeito…que na verdade não existe. No nosso caso, engravidar no meio do tratamento do meu pai parecia loucura, intenso demais, e a verdade é que foi. Foi intenso, foi difícil, foi estressante, foi um turbilhão de sentimentos, mas aqui estamos, na reta final, e tudo fluiu da forma como dava, como tinha que ser. Era um dia após o outro, alguns intermináveis, outros menos piores. É fato que a gravidez ficou em segundo plano durante o ano todo, e o lado bom é que não tive tempo para ficar neurótica. Meu dia a dia estava tão focado no tratamento do meu pai e no nosso trabalho que vivi como dava, fiquei exausta, me senti perdida, chorei muito, me desesperei em vários momentos, mas não tinha o que fazer a não ser continuar vivendo. E no meio desse caos, aos poucos fui entendendo o verdadeiro motivo da Laura ter escolhido bem esse ano, esse momento, para chegar às nossas vidas. Ela foi dando a energia que me faltava, o que calibrou meu corpo e alma ao longo desses meses.

Quando decidi comigo mesma que queria viver a experiência de ser mãe, mesmo que fosse uma vez só, esperava viver uma gravidez tranquila, leve, feliz, me dedicar ao enxoval, ler, meditar, fazer coisas legais do universo maternidade. Nunca pensei que passaria por tudo isso bem no ano mais difícil da minha vida. E a culpa veio bem antes do que eu imaginava, me culpei por comer errado, por chorar diariamente, por me sentir triste, muitas vezes extremamente nervosa e estressada, por passar isso pra minha filha, por não estar transbordando felicidade e já sentindo aquele amor inexplicável de mãe. É, a gente nunca sabe o que de fato está se passando na vida de alguém. Foram extremos de emoções todos os dias, as quimioterapias do meu pai, a cirurgia, o pós cirúrgico, os exames da Laura, o trabalho, a falta de motivação, o meu lado anti social e chata gritando e eu não me aceitando nessa nova versão. Eu gostava da Fernanda positiva, sorridente, de bem com a vida e não sabia lidar, muito menos aceitar, essa minha versão grávida e ao mesmo tempo pra baixo, infeliz. Eu estava tão ansiosa e preocupada que não me emocionava nos ultrassons, era sempre uma sensação de alívio em saber que estávamos bem, que a bebê estava crescendo, que nada estava fora do normal. A maioria dos dias eu só queria ficar sozinha e não ter que dar update da gravidez e da situação do meu pai para cada pessoa que eu encontrasse. Não tinha saco e nem paciência para conversar e responder quando as pessoas ficavam me perguntando sobre o parto, enxoval, médico, hospital, se já estava tudo pronto, se ia ter chá de bebê, etc. Ninguém me perguntava por mal, pelo contrário, mas o meu lado espiritual/emocional que não estava bom mesmo. A avaliação constante do meu corpo também me irritava, alguém sempre tinha um comentário sobre meu peso, minha barriga, meu quadril, meu rosto, não importa se era bom ou ruim, eu não passava despercebida em lugar nenhum. E a verdade é que ninguém imagina o poder das palavras ditas a uma mulher nesse período. Até o sétimo mês da gravidez eu não tinha ideia do que faríamos no quarto da Laura, não tinha comprado nenhuma roupa, nem sequer um pacote de fraldas, muito menos feito algum curso de gestante ou visita ao hospital. Quando cheguei ao oitavo mês, finalmente comecei a curtir um pouco mais a gravidez e todos os preparativos.

E diante dos problemas, mau humor e as bad vibes desses meses, eu sabia que precisava manter alguma atividade física para me acalmar, além dos benefícios para minha saúde física e mental, e consequentemente da bebê. E confesso que ter que parar de pedalar foi uma das coisas mais difíceis pra mim. Era uma atividade que eu podia fazer sozinha e que me dava uma sensação de prazer, independência e bem estar indescritíveis. Fiquei perdida no que fazer para substituir esse exercício. Continuei com as aulas de Pilates 3x na semana e comecei a “correr” no parque também. Eu tinha duas opções: fazer o que podia no momento ou não fazer nada, então preferi tentar me adaptar a uma nova atividade do que não fazer nada em casa e me sentir pior ainda. Os primeiros meses foram ótimos, mas correr nunca foi uma atividade que gostei, na verdade sempre odiei. O que me motivava era ir ao parque, ver um pouco de verde no meio do caos de São Paulo, ter um momento sozinha, mas a atividade em si nunca gostei. Esse combo corridinha + pilates durou uns 3 meses. Como eu já não estava acostumada a correr, a barriga foi crescendo, o fôlego diminuindo e eu desanimei quando comecei a perder o pique pra trotar, me sentia cansada e a falta de adrenalina me desmotivou. E foi assim que o Pilates aos poucos foi se tornando minha atividade física principal, fui evoluindo e hoje sinto que a prática conecta meu corpo e mente, fortalece e alonga os músculos, alinha a coluna, expande meu corpo e acalma minha cabeça! Ainda bem que não desisti!

Confesso que mesmo agora, faltando pouco mais de 1 mês pra ela nascer, em vários momentos eu nem acredito que tem um bebezinho dentro de mim, me chutando dia e noite, quase pronta para chegar aos meus braços. A gravidez é um processo intenso e muito doido, além de muito particular e único para cada mulher. E se tem um conselho que recebi e que realmente valeu muito foi o da minha mãe: não julgue nenhuma grávida/mãe, apenas observe os exemplos ao seu redor e siga seu caminho, sua intuição, seu jeito. Cada mulher tem a sua personalidade, criação, relacionamento, rotina, família, trabalho, neuras, anseios, vontades, etc. É realmente uma montanha russa de emoções, hormônios, medos, dias que a gente se sente maravilhosa, outros que nem queremos passar perto do espelho. Me dizem sempre que a parte mais fácil é quando o bebê ainda está na nossa barriga, protegido, e é fato que ninguém sabe o que está por vir, se o bebê será calmo, se chorará a noite inteira, se vai mamar fácil, se eu terei leite, se terá cólica, as expectativas são infinitas. Mas posso dizer que se tem uma lição que tenho aprendido diariamente em 2018 é ser grata pelos pequenos problemas que já tive, por situações que considerei difíceis e que na verdade não eram absolutamente nada. Um problema de saúde é o mais grave que pode acontecer em qualquer momento da vida, é o que pode desestabilizar uma família, tirar nosso chão, nosso equilíbrio, abalar nosso psicológico, tornar os dias infinitos e trazer uma sensação de impotência e fraqueza incomparáveis a qualquer outro tipo de problema. Simplesmente porque não há o que fazer, a não ser viver.

Para essas últimas 5 semanas de gravidez, coincidentemente na época de Natal e Ano Novo, eu só posso agradecer pelo meu pai estar aqui, estar bem e se recuperando cada dia mais, pela Laura estar saudável e já estar sendo uma ótima filha, mesmo ainda dentro da minha barriga. Se por um lado as coisas tem sido difíceis e estressantes nesse ano, a gravidez tem sido calma e tranquila, não tive problemas, não passei mal, não precisei ir ao hospital nenhuma vez, pude continuar minha rotina normalmente e aqui estou trabalhando até os últimos dias. E é nesses últimos dias desse 2018 que eu me preparo para receber o ano novo com o melhor presente da minha vida, para oferecer minha luz e energia, bom humor e positividade da Fernanda de sempre, com gratidão, amor e com o coração e mente abertos para receber você: Laura!

Obrigada pela leitura 🙂

Fernanda.

 

7 comentários Adicione o seu
  1. Fernanda, Parabéns! Que texto Incrível! Que mulher forte e corajosa. Amada tudo nesta vida não é um acaso em tudo Deus tem um PROPÓSITO e tenho a certeza que você cresceu e amadureceu. Que a Laura venha com muita Saúde e seja para completar sua Alegria! Que Deus te Abençoe muita Saúde! Bjs.

  2. Pqp você é demais!!! Como eu admiro esssa Fernanda que já conheço e tenho orgulho dessa nova que está se tornando!!!
    Amo vocês!!! Laura não vejo a hr de te conhecer!! ♥️

  3. Que lindo Fe!! Emocionante seu desabafo, imagino como foi difícil esses momentos com seu pai, mas se Deus quiser TD ficará bem, com certeza a Laura virá pra trazer muitas alegrias, aproveite bem esses momentos e logo vcs estarão com a pequena nos braços… Feliz Natal e muitas alegrias no próximo ano!! Bjs

  4. Que máximo Fer!!!! Que delicia ver essa Fernanda mulher !!! Sensacional! Que Laura venha para iluminar e “bagunçar” a sua vida da maneira mais gostosa:)
    Um beijo grande 🙂

  5. Nossa Fê…me emocionei muito!!! Que pena que nos afastamos pq com certeza nossa troca de experiência poderia ter te ajudado mais…sinto muito sua falta!!! Vc é uma pessoa muito especial e abençoada. Amo vc demais!!!! Parabéns por ter escrito um texto tão lindo!!! Quero conhecer a Laura hein….vai fazer uma ótima dupla com a Lara kkkķkkk.

    1. Oi Jo!! Pois é, sinto falta das nossas conversas também! Agora nessa fase mãe então, teríamos muito que falar né? Você é muito especial e adorei te conhecer!! Obrigada pelas palavras e por ter lido o texto! 🙂 Com certeza um dia vamos fazer esse encontro de Laura e Lara! rs. Beijo enorme amore!!

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